No filme “A paixão de Camille Claudel”, podemos constatar que a artista queria ver o seu talento como escultora reconhecido. Rodin reconheceu-lhe o talento e isso foi expresso no comentário que fez para si próprio ao admirar uma das esculturas de Camille Claudel: “O que tem ela que eu não tenho?”. Mas o que fez, de certa maneira, foi apropriar-se do seu talento.
Desde cedo a mãe rejeitava a sua vocação, a sua “mania de liberdade” e não perdia uma oportunidade para a culpabilizar da má influência nos estudos do irmão, o poeta Paul Claudel. Na verdade, é ela que lhe dá a conhecer Rimbaud e que mais tarde, pede a intervenção de Rodin para que o irmão venha a desempenhar funções diplomáticas nos Estados Unidos da América. A figura da mãe foi sem dúvida penalizadora para o desenvolvimento psicológico de Camille.
Por outro lado o pai compreendia-a e incentivava o seu trabalho, queria que ela saísse da sombra de Rodin o que, para a época, representava um apoio inusitado e que ela, por força da paixão por Rodin, não aproveitou, tal como não aproveitou o apoio do seu marchand.
Talvez porque quisesse afastar-se da mundanidade, só lhe interessava o seu trabalho e a pulsão para criar, a urgência para criar era a sua vida.
“Eu serei eu por mim própria”, afirma na sua revolta, resistência e raiva.
A sensação de estranheza foi-se apoderando dela o que leva o irmão, responsável com a mãe pelo seu internamento, a expressar “A minha irmã foi engolida”.

A partir dos comentários ao filme por:
Cristina Ataíde
Dalila Pinto de Almeida