{"id":268,"date":"2024-11-27T11:51:04","date_gmt":"2024-11-27T11:51:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uni-r.pt\/?p=268"},"modified":"2024-11-27T11:55:13","modified_gmt":"2024-11-27T11:55:13","slug":"como-a-violencia-contra-as-mulheres-por-serem-mulheres-persiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.uni-r.pt\/?p=268","title":{"rendered":"Como a Viol\u00eancia contra as Mulheres, por serem Mulheres, persiste"},"content":{"rendered":"<h6><em><strong>Texto de Opini\u00e3o de <\/strong><strong>Maria Jo\u00e3o Vargas-Moniz<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em> <\/strong><\/h6>\n<p>Apesar do investimento, do esfor\u00e7o e da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, programas e pr\u00e1ticas na \u00e1rea da viol\u00eancia contra as mulheres, as situa\u00e7\u00f5es de feminic\u00eddio, de viol\u00eancia f\u00edsica, social, sexual, psicol\u00f3gica, econ\u00f3mica entre outras, persistem com n\u00fameros com inquietante perenidade.<\/p>\n<div class=\"item-1 item-1-3 item-odd item-first first CT-html\">\n<p><strong>Apenas em 2024, segundo fontes oficiais, 25 mulheres foram assassinadas reiterando a realidade observada ao longo dos anos.<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-fusion-800 wp-image-270\" src=\"http:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-800x450.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-200x113.webp 200w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-300x169.webp 300w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-400x225.webp 400w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-600x338.webp 600w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-768x432.webp 768w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-800x450.webp 800w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-1024x576.webp 1024w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440-1200x675.webp 1200w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mw-1440.webp 1440w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>Deste modo, questionamo-nos acerca do que falta para conseguirmos alterar esta realidade, considerando que em Portugal dispomos de:<\/p>\n<p>&#8211; Sistemas de acompanhamento e monitoriza\u00e7\u00e3o que nos proporcionam informa\u00e7\u00e3o detalhada acerca das situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas das mulheres assassinadas, destacando-se o <a href=\"https:\/\/www.cig.gov.pt\/2020\/11\/observatorio-de-mulheres-assassinadas-lanca-dados-preliminares-de-2020\/\">Observat\u00f3rio de Mulheres Assassinadas<\/a> (OMA) que, com coragem e crueza, recolhe e analisa desde 2004 os dados das mulheres com os seus <strong>nomes<\/strong>, os locais do feminic\u00eddio, a arma do crime e o tipo de relacionamento entre femicida e mulher assassinada;<\/p>\n<p>&#8211; Uma <a href=\"https:\/\/earhvd.sg.mai.gov.pt\/Noticias\/Pages\/default.aspx\">Equipa de An\u00e1lise Retrospetiva de Homic\u00eddios em Viol\u00eancia Dom\u00e9stica<\/a> (EARHVD) que, desde 2017, produz relat\u00f3rios incisivos e exaustivos sobre os processos de femic\u00eddio e as respostas dos v\u00e1rios sistemas, mas que n\u00e3o foram suficientes para evitar a morte de cidad\u00e3s;<\/p>\n<p>&#8211; Uma <a href=\"https:\/\/www.cig.gov.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Rede-Nacional-de-Apoio-%C3%A0s-Vitimas-de-violencia-dom%C3%A9stica.pdf\">Rede Nacional de Apoio a V\u00edtimas de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica<\/a> que congrega servi\u00e7os de atendimento, casas abrigo e acolhimentos de emerg\u00eancia distribu\u00eddos pelo territ\u00f3rio nacional, sendo que as pessoas e as suas fam\u00edlias podem ser deslocalizadas para obter respostas, elemento potenciador de vulnerabilidade, por gerar ruturas abruptas com as redes individuais e familiares;<\/p>\n<p>&#8211; Um n\u00famero significativo de mulheres ativistas que confrontam, questionam, exigem e que prop\u00f5em o desenvolvimento de novos servi\u00e7os, formas de apoio e respostas para as mulheres;<\/p>\n<p>&#8211; Um vasto conjunto de organiza\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os compostos de profissionais com forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, interesse e empenho e, por vezes, correndo riscos na interven\u00e7\u00e3o e apoio a mulheres envolvidas em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia interpessoal e viol\u00eancia dom\u00e9stica;<\/p>\n<p>&#8211; Organismos p\u00fablicos como a <a href=\"https:\/\/www.cig.gov.pt\/\">Comiss\u00e3o para a Igualdade de G\u00e9nero<\/a>, com a miss\u00e3o de aprofundar e promover o conhecimento, apoiar e monitorizar a interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da viol\u00eancia contra as mulheres em todas as suas formas, incluindo a viol\u00eancia dom\u00e9stica;<\/p>\n<p>&#8211; Investigadoras\/res nos mais variados ramos das ci\u00eancias sociais e humanas que investigam e publicam nacional e internacionalmente os seus trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o qualitativa e quantitativa;<\/p>\n<p>&#8211; Meios de comunica\u00e7\u00e3o social que reportam, mostram e demonstram a viol\u00eancia dos crimes;<\/p>\n<p>&#8211; Cidad\u00e3s e cidad\u00e3os que se indignam perante cada crime cometido, por cada express\u00e3o de \u00f3dio contra as mulheres, que persiste em todas as esferas da sociedade, independentemente da idade, da origem \u00e9tnica, do estatuto socioecon\u00f3mico, da orienta\u00e7\u00e3o sexual, dos conceitos vigentes de beleza e que \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de ser <strong>Mulher<\/strong>.<\/p>\n<p>Desta forma, torna-se <strong>muito urgente transformar<\/strong>, pelo que nos devemos centrar na promo\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a transformativa e da justi\u00e7a social para as mulheres e especificamente na interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o com base no g\u00e9nero, focar-nos nos valores relacionados com esta \u00e1rea de mudan\u00e7a social em que a persist\u00eancia dos femic\u00eddios deve ser considerada como um fator cr\u00edtico e catalizador de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Devemos apostar numa interven\u00e7\u00e3o centrada na g\u00e9nese da viol\u00eancia de g\u00e9nero, n\u00e3o como uma express\u00e3o psicopatol\u00f3gica ou um diagn\u00f3stico de doen\u00e7a mental a ser tratada atrav\u00e9s de psicoterapia e\/ ou medica\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, tanto de v\u00edtimas como de agressores, centrada nas origens culturais profundas do machismo, sexismo e de \u00f3dio mis\u00f3gino em torno dos quais se constr\u00f3i a masculinidade.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>O foco deve estar nos valores de justi\u00e7a social de igualdade de oportunidades, de redistribui\u00e7\u00e3o de recursos e de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica em quest\u00f5es sociais promotoras do bem-estar psicol\u00f3gico, emocional e de seguran\u00e7a e no aprofundamento das Pol\u00edticas P\u00fablicas que facilitem o recentramento da valida\u00e7\u00e3o e enquadramento das narrativas dos diversos intervenientes nas v\u00e1rias formas e inst\u00e2ncias da interven\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 urgente promover o Mecanismo Independente para a audi\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o ativa de mulheres sobreviventes, de filhas e filhos, de m\u00e3es e pais, de irm\u00e3s e irm\u00e3s e fam\u00edlias de mulheres sobreviventes e mulheres assassinadas para que se gere um debate profundo acerca dos recursos de apoio para todas as pessoas afetadas por estes acontecimentos tr\u00e1gicos.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Um debate alargado sobre viol\u00eancia de g\u00e9nero que tem de ser analisada prioritariamente numa perspetiva cultural\/hist\u00f3rica e n\u00e3o como uma caracter\u00edstica pessoal, de personalidade ou psicopatologia de uns quantos agressores que s\u00e3o diferentes de todos os outros homens. Esta \u00e9 uma responsabilidade de todos e todas.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 preciso aten\u00e7\u00e3o redobrada aos estere\u00f3tipos com base no g\u00e9nero face \u00e0s mulheres migrantes e \u00e0s formas como s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edtimas de formas de abuso no processo migrat\u00f3rio, \u00e0s mulheres das comunidades ciganas, \u00e0s mulheres com defici\u00eancia e\/ou doen\u00e7a mental.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-fusion-600 wp-image-269\" src=\"http:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-600x338.webp\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-200x113.webp 200w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-300x169.webp 300w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-400x225.webp 400w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-600x338.webp 600w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-768x433.webp 768w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-800x451.webp 800w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-1024x577.webp 1024w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm-1200x676.webp 1200w, https:\/\/www.uni-r.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mjvm.webp 1440w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<div class=\"item-3 item-3-3 item-odd item-last CT-html\">\n<p><strong>Todos temos de assumir as nossas responsabilidades e comprometer-nos com uma interven\u00e7\u00e3o proativa na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia em todas as etapas de desenvolvimento humano e em todas as idades. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Maria Jo\u00e3o Vargas-Moniz <\/strong>(Professora Auxiliar e Investigadora do Ispa)<\/p>\n<p>Not\u00edcia original em: https:\/\/sicnoticias.pt\/especiais\/violencia-domestica\/2024-11-25-como-a-violencia-contra-as-mulheres-por-serem-mulheres-persiste-436af909<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Opini\u00e3o de Maria Jo\u00e3o Vargas-Moniz. 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